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Busca por profissionais vale até fazer luau

Na busca por profissionais de TI, vale até fazer luau

Como as empresas estão enfrentando o apagão de mão de obra na cada vez mais essencial área de tecnologia da informação

 

A Viva Experiências se firmou na internet, há dois anos, vendendo vales-presente pouco convencionais, de reservas em restaurantes a salto de paraquedas. Mas, ao contrário do que o nome sugere, o início de sua história não foi uma experiência tão boa.

Na inauguração, em outubro de 2009, seu proprietário, André Susskind, montou um quiosque num shopping na zona sul de São Paulo para divulgar o site. Até aí, tudo certo. Internautas de fato tentaram comprar. Mas o serviço de tecnologia da informação (TI) contratado para criar o site falhou: o primeiro pedido levou mais de um mês para ser finalizado. Resultado: o faturamento no período ficou mais de 50% abaixo do previsto.

O caso não é único. No mundo, uma infinidade de negócios – especialmente em e-commerce – depende de TI e está ameaçada pela falta de gente qualificada. O problema tende a se aprofundar no Brasil, caso a previsão da Faculdade Getúlio Vargas (FGV) se concretize: em quatro anos, haverá déficit de um milhão de profissionais.

Fernando de Souza Meirelles, fundador do Centro de Tecnologia Aplicada da FGV, explica que não necessariamente cargos deixarão de ser ocupados. Nesse “apagão de mão de obra capacitada”, como define, há dois vieses: o de profissionais despreparados e, aí sim, o das vagas abertas sem ninguém para assumir.

A corrida para preenchê-las no Peixe Urbano criou uma situação inusitada para o diretor de tecnologia da empresa, Alexander Ferraz Tabor. Há dois anos, quando estava de olho em possíveis talentos num evento em São Paulo, viu um desconhecido à sua frente tentando acessar, sem sucesso, o site de vendas coletivas. “Entrei no sistema pelo meu computador na mesma hora para tentar deixá-lo mais veloz”, conta. O episódio reforçou o que ele já sabia: os acessos cresciam mais do que o suportado e era preciso ampliar o quadro de seis programadores da época.

Churrasco

Dificuldades para achar gente gabaritada o bastante são dribladas à exaustão. Dois recrutadores do Peixe Urbano trabalham estritamente para aumentar o time atual de TI de 60 funcionários, dos quais 50 são programadores. Até luau e churrasco com universitários são feitos. Outra tática é oferecer recompensa de R$ 1,5 mil por indicações de profissionais que passem ao menos seis meses na empresa. O próximo passo é captar no exterior brasileiros que queiram voltar à terra natal.

Os mais estabelecidos no mercado também encontram nos jovens solução paliativa. Por meio de um programa de aceleração de carreira, a Microsoft treina universitários com a ideia de retê-los. “Das vagas criadas hoje, perto de 40% são ocupadas por pessoal sem os conhecimentos técnicos necessários”, diz Alexandre Ullman, gerente de recursos humanos da multinacional no Brasil.

Nenhuma solução foi mais radical que a encontrada pela We do Logos, startup que conecta designers a empresas. No início, o próprio fundador, Gustavo Mota, cuidava sozinho do site. Quando o tráfego cresceu, o empresário teve de contratar um especialista, que também não deu conta do recado. Mota, então, terceirizou o serviço de TI para a Digital Craft. Não foi suficiente. Hoje, as duas empresas são sócias. “Tecnologia é a alma do negócio. Ficava mais em conta.”

Esse déficit, em parte, reflete um gargalo histórico nas escolas e nas universidades. Além da baixa qualidade do ensino básico público, investir na área de Exatas nunca foi prioridade das grandes faculdades. Por exigirem laboratórios, esses cursos são mais caros e, fora isso, as ciências humanas tendem a ter mais apelo. Afinal, trabalhar o dia inteiro e, à noite na escola, conseguir se concentrar em matérias como cálculo exige bem mais que disposição.

Outro ponto sensível é o fato de o ensino técnico ser preterido pelos estudantes em favor da universidade. Para Marco Stefanini, presidente da consultoria de TI Stefanini, essa opção pode ser equivocada: “Às vezes, uma pessoa com formação técnica pode ser mais bem remunerada”. Segundo ele, a presidente Dilma já reconheceu a importância do assunto. Há dois meses, sancionou o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, iniciativa que pretende gerar 8 milhões de vagas em cursos técnicos de vários setores até 2014.

A ausência de base técnica é justamente um dos principais obstáculos para o crescimento do setor de TI, diz a analista Virginia Duarte, do Observatório Softex. “Se nada mudar, setores brasileiros de serviços e softwares de TI devem perder receita de até R$ 115 bilhões até 2020.” Na internet, velocidade é ouro.

Isca de talentos. Luau promovido pelo Peixe Urbano para alunos do Instituto Militar de Engenharia (IME) na Praia Vermelha, Rio de Janeiro

TRÊS RAZÕES PARA O DÉFICIT DE MÃO DE OBRA EM TI:

 

1. A qualidade do ensino básico público no Brasil é baixa, o que inibe a formação de estudantes para a vida profissional.

2. A maioria dos jovens opta pela formação universitária em detrimento do ensino técnico. Ignoram que um profissional com perfil técnico pode ser mais bem remunerado que, por exemplo, quem se formou na área de Humanas.

3. As empresas contratam muitos estudantes para cargos que deveriam ser assumidos por gente mais preparada. Assim, o tempo que deveria ser dedicado aos estudos acadêmicos é ocupado apenas pela prática, o que nem sempre basta.

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